Sorrir Monalisa II
Vivia sorrindo monalisa. E achavam-na simpática por isso. Sorria de escárnio, de ironia, de sarro. Nunca na vida sorrira de felicidade, mas quem se importa? Ela sorria! E como os sorrisos abrem portas...mesmo os amarelos. A forma mais inteligente de concordar discordando. Ou alguém discorda de um sorriso bem dado? Ah seres humanos, tão carentes de afeto. Dou-lhe um sorrisinho distraído e já abre-me as pernas?
Feliz é de quem nasce com a boca larga. É só puxar um tantim assim o canto e está tudo resolvido. Diria que à bordo de um sorriso não há mares não desbraváveis. Perceba que és escravo do meu sorriso. Sem ele não tens coragem de dar um passo adiante. E eu sorrio, porque somos coniventes neste jogo de mentiras, onde tu buscas no meu gesto tuas carências e eu busco na minha artimanha a minha tirania. E somos todos felizes, porque este é o código de nossa raça.
Escrito por Carol Lopes às 01h03
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