Casamento
Casamento
Poderia ser monotonia. Mas usualmente vivíamos do espontâneo. Sem hora para se ver, ser, ou se amar. Um dia disseram que a rotina era questão de tempo, e, que a paixão transformava-se em no máximo amor fraterno. Pois eu discordei. Olharam-me com aquele semblante velho, em que o tempo já destinou a história, e disseram com a boca cheia de putrefações verbais: é questão de tempo. Pois quem acha que o tempo está contra os amantes é porque não sabe amar. O tempo para mim é a possibilidade em vida de eu viver todo um amor que não se esgota. E é justamente o dia-a-dia, a convivência, a rotina, essas, palavras a ti malditas, que me elevam, diariamente. Desculpe queridos, se a vida de vocês é assistir à novela das 8 e esperar seus filhos chegarem em casa de uma balada louca e alucinante. Mas rotina de casamento para mim é quando eu posso ser mais eu e quando o a dois faz coisas que até Deus duvida. E estupefato Ele olha e chora, emocionado, porque é Deus, mas se enganou quando achou que a maçã mordida era danação. Porque um encontro entre dois que se encontram há uma eternidade é sonho em forma de realidade. E desculpem queridos, aqui há pouco ou há muito chegados, se vocês partilham um contrato de casamento achando que vivem uma vida a dois. Mas deixe-me com minhas certezas, que meu amor é amor-paixão e que a minha rotina matrimonial contém sexo, drogas e rock and roll.
Escrito por Carol Lopes às 10h27
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Samba que não virou música
(Sem nome)
Desgrenhada e insegura
Eu caminhava pela rua
Quando você me viu passar
Não tinha tamanho nem estrutura
De um amor deste tamanho acreditar
Ruas, bares, avenidas
Você assim, eu em mim
Atenta e afoita
Eu caminhava pela rua
Por ver meu amor passar
Presa em mim,
Um pássaro pronto para voar
Praças, parques e montanhas
Você e eu assim, em mim
Penteada e risonha
Caminhávamos pela rua
Quando nos viram passar
Segurei em sua mão, nos olhamos
- É a nossa vez, vamos
Sonhos, versos e aventuras
Eu em você, você em mim
Escrito por Carol Lopes às 10h26
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Tardes Alaranjadas
Os braços dormiam abertos, estatelados, enormes e despreocupados. As pernas davam a continuidade da leveza de sua estrutura, flutuante. A janela entreaberta recebendo a luminosidade do dia deixava a cena ainda mais excitante a meu olhar. O tom alaranjado da hora preferida deixava seus cabelos ainda mais avermelhados, só para me fazer atentar à simpatia das pintas do dorso e o brilho dos pêlos, arrepiados do primeiro frio do outono. Passava as tardes assim, a me seduzir. Mas o que fazer diante o amor, se era aquele sorriso-monalisa dos anjos-sexuados que me despertavam um tremor até então desconhecido? Eu queria que o mundo se acabasse nas curtas tardes em que a vida era um cotidiano besta e incandescente. Em que pernas se trançavam fervorosamente ao sabor do instinto e que faziam de mim um pulso involuntário de amor. Mas eu mantinha-me ali, estática, atrás da porta, suspirando, baixinho. Não que a minha tentação fosse proibida, imoral, ilícita. Não. Mas eu sabia que o que imobilizava meu impulso era o prazer de vê-lo assim, tão leve e feliz, solto em seu mundo onírico. Meu fascínio era ver como era simples a vida a um ser que sabia caber nos minutos. E como essa exatidão me perturbava! Queria mais era adentrar naquele íntimo e corar-lhe a face! Alguma voz sábia, porém, mantinha-me em estado contemplativo, lembrando dos mínimos trejeitos do ser amado. Era como se a beleza do mundo se resumisse em sua expressão. Como se a poesia do bater das asas de uma borboleta estivesse contido no movimento das suas mãos, assim como a sua multiplicidade de cores. As tardes perdidas a esmo me faziam crer que a minha felicidade estava ali, porque ali estava tudo que me interessava na vida.
Escrito por Carol Lopes às 10h25
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