Não mais que um grão de areia
Um grão de areia, não mais que isso, tentando ser deserto. O silencio da madrugada contente, que sabe a hora de se pôr e a de se retirar. Não faz drama nem perde a hora, chega sempre, pontual. Não hesita porque entende o fluxo da vida, e entende que ser grão do pó criador é ser essência. Caminha com o vento que o leva, não faz resistência. Não precisa, a natureza é sábia e honesta. Se o dissolvem num mar d’água, não morre, se transforma. É sábio e belo, porque indissolúvel e soberano. Não precisa se dobrar mais que sua natureza e recebe como prêmio à sua obediência igual versatilidade da grande criação. Caminha suas lutas solitariamente unido de outros grãos indissolúveis, soberanos e solitários. Nem por isso morre, de tédio, desânimo ou depressão. Para a vida latente não espaço para tão mórbido sentimento. Ser é um estado de bênção.

Escrito por Carol Lopes às 22h58
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