Dia Internacional da Mulher, Hoje é dia de Maria!
Cena 1
Empregador entrevista a jovem recém-formada candidata à vaga de jornalista.
- Posso te fazer uma pergunta indiscreta?
- Depende, responde firme a jovem de 22 anos ao renomado jornalista.
Cena 2
Dia 8 de março, av. Paulista, por volta de 8 mil mulheres se reúnem no Dia Internacional da Mulher. Elas comemoram o direito da escolha, o direito da palavra, o direito do desejo, o direito de ser. Elas reivindicam o direito da igualdade, do reconhecimento, do respeito. Um grupo de neandertals posta-se na sacada de um prédio com vista para a passeata com pôsteres de “gostosas” da playboy. Elas cantam em coro: “mulher não é mercadoria”.
As cenas são (hoje e ainda, nessa ordem) corriqueiras, mas representativas. Ilustram o porque da data. Mulheres em Movimento Mudam o Mundo é o nome da organização que puxa a marcha. Não à toa. São Marias, mulheres que riem quando devem chorar, e que movimentam a história (e os valores), do gênero preterido.
Eles ironizam dizendo que ter um dia comemorativo exclusivo para elas põe por terra a igualdade conclamada. Eles confundem igualdade genética com igualdade de possibilidades.
Eles riem da conquista do acesso da mulher ao mercado de trabalho que lhes tirou o peso do sustento da casa; elas comemoram a possibilidade da escolha, que é, no limite, a liberdade plena.
Eles dizem que a data não passa de mera concordata comercial. Eles não entendem o valor do símbolo.
Eles a reduzem a objeto de satisfação de suas necessidades sexuais, elas conquistam a liderança da casa, do trabalho, do seio social, e, de quebra, ensinam que ficar de quatro é uma dentre as inúmeras posições do amor.
A todas as mulheres que fizeram jus ao nome, meu muito obrigado.
Sem vocês nenhuma dessas linhas teria sido tecida.
Carolina Lopes
09/03/06
Escrito por Carol Lopes às 08h58
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