Arrumando o quarto, a angústia, a vida
Que se vá os meus ursos de infância, minhas roupas desbotadas, meus pensamentos adolescentes, meus badulaques memorativos, as cartas de amor desatualizadas no tempo, aquilo que estragou pelo uso, aquilo que estragou por falta de cuidado, as palavras proferidas que são hoje apenas a memória de alguém que fui. Que a organização seja refeita, sessões abertas, outras fechadas. Que se vá tudo isso, ainda que dolorosamente. Gavetas, libertem-se! Há um novo espaço a ser preenchido. Uma longa estrada vedada, pronta para ser aberta, passada, constituída. E que ao ser atravessada ainda reste meus encantos, delírios, desejos. Que exista sempre apenas o essencial de mim. A dor e a delícia de ser o que se é. Cds, fotos e livros, estes ficarão intocáveis.
Escrito por Carol Lopes às 12h15
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