Desnudando minhas máscaras
Chego na loja que aluga vestidos pelo maior preço de São Paulo. Jaqueta jeans, cabelo amassado, capacete à tira colo. Olho para os lados, cafezinhos preparados para os mais engomados clientes da cidade. Sei que não me respeitarão pelos meus trajes, então faço a minha mais convincente cara de brava, como se assim pudesse impedir que fosse ser julgada pela minha aparência rotineiramente relaxada.
Meia hora depois, após a troca de meia dúzia de peças, em uma saletinha fechada onde todas as partes do meu corpo desnudo já foram apreciadas, depreciadas, satirizadas, pelas simpáticas vendedoras em parceria com a minha querida genitora, eis que ouço:
- Você é dengosa.
- Ein?
- É. Quando você chegou achei que teria uma encrenca pela frente, tamanha era a sua cara de brava. Mas você é dengosa.
Não comprei, não aluguei, não gastei, mas fui respeitada. Certamente não pela minha cara de brava.
Escrito por Carol Lopes às 21h52
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