Dia do esquisito
E de repente me deu uma vontade de escrever. Nenhuma tristeza musical, nenhuma felicidade cinematográfica. Apenas eu. No cotidiano do dia. No sábado à noite perdido em casa só. Revirando as caixinhas do passado e encontrando o presente de mim.
São dias. Gostosos como o silêncio. Indiferentes como nada o é. Terão as fases da lua influência sobre isso? Decreto, a partir de hoje, o dia do esquisito. O dia em que se tem uma vontade de falar silenciando. O dia do nada. Cheio de tudo. Dia do ninguém, que carrega todo mundo.
Eita bichinho estranho! Diria a minha própria mãe. Certíssima! Dia do esquisito, em que lembro das tantas pernas no bonde que causavam espanto a Drumond na pacata Minas Gerais do começo do século e que hoje me causa horror na metrópole pós-moderna.
Dias...somente dias como esse. Dia do nada. Certo tava o pirado do Raul: “o dia em que a Terra parou”. Será? Lenine? “mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, mesmo quando o mundo pede um pouco mais de alma, a vida não pára”.
Xi....pirei de mais. Minha cota de vergonha entrou no comando, e, se isso tornou-se público, é porque eu já censurei meu pequeno e esquisito mundo Amelie Poulan.
Escrito por Carol Lopes às 11h27
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