O centro do Universo é o Inferno
13H20.
- Lolôoo, sentiu saudade de mim? Chegueeeiii, para te azucrina-a-a-r... (repetindo um estranho ritual)
Barriguinha chega, almocinho caseiro. Caminha cheirosa, lendo poeminha de Mario de Sá Carneiro, a espera do soninho.
- Tenho que ir na Polícia Federal.
- Ein?
- Tenho que ir ver Painho.
A esse momento o sono já se fora. Estava eu a espera de mais uma das preciosidades da nossa querida faz-tudo.
- Acuma? Que Painho Helô?
- o Maluf, disse ela em tom de provocação. Ela me conhece...
Eu, que também já conheço o misto de lucidez pura e insanidade total dessa intrigante senhora, pergunto (no fundo eu sabia que o que ela queria era mesmo conversar):
- O que é que você vai fazer na cadeia Helô?
- Ver Painho. Vou levar uma faixa pra ele. Eles não tão deixando o povo visitá-lo. Até bandido tem direito à visita.
- Até? Então o Maluf é pior que bandido?
- Não!! O Maluf não é bandido. Ele não roubou! E se roubou, roubou igual todos os outros que tão soltos por aí. Se eles não soltarem Painho, o povo vai invadir a cadeia.
Nesse momento a safada se vira, olha para mim com um sorriso sem igual.
- Helô, você é pobre porque ele é rico!
- Ele é rico antes de eu nascer.
- Se ele não tivesse roubado o que já roubou você não viveria como vive!
- o que ele roubou é trocado.
Silêncio no estúdio. Ponto pra danada. Conseguiu mais uma vez me deixar confusa. Malufista insana ou louca carente?
Escrito por Carol Lopes às 13h48
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