Solidão
Desde que me conheço como sujeito que ama entendo uma máxima que permeia a humanidade: o homem é um ser por natureza solitário. Tem gente que ama e se sente só. Tem gente que nao ama e se sente só. Tem gente que tem um monte de gente e se sente só. Solidão é sentimento universal. Sem preconceito de raça, cor ou credulo.
Desconheço cultura que tenha desenvolvido a arte da música e da poesia que não tenha feito uma só canção para a pré-histórica solidão. Nao conheço um só ser que não tenha sentido, ao menos uma vez na vida, uma ilha no continente.
Quintana falou: “o pior dos problemas é que ninguém tem nada a ver com isso”. A mãe da Fer, como já mencionei aqui falou: "Se a gente nasce sozinho, é melhor nos virarmos assim sempre. Companhia é lucro, amor é dádiva, amizade é luxo." Marisa fez a Dança da Solidão. Guilherme Arantes disse que é bicho, Alceu musicou “ a solidão é fera, a solidão devora”, Caetano “a tristeza é senhora, Desde que o samba é samba é assim” porque, como disse o bom e velho Vinícius, “quanta tristeza cabe num a solidão”.
Quem não falou sentiu.
Lembro que essa história de solidão desde a quinta série, quando comecei a escrever textos para as aulas de redação. Quando o tema era livre a solidão era que me perseguia. A primeira imagem que brotava quando começava desenhar as primeiras letras era a de uma Paulista da vida, cheia de gente transitando para todos os lados e eu perdida no meio. 1 milhão de pessoas. 1 milhão de corações solitários. Inclusive o meu.
Não me conformava. Tanta gente e ... tanta solidão. Chegava a pensar que se juntasse esse tanto de solidão que tinha no mundo talvez desse pra fazer alguma coisa inteira. Mais adiante, quando comecei a ter amigos mais íntimos, amores mais amigos, a coisa piorou. Descobri que a solidão é como uma sombra. Não desgruda nem quando estamos bem acompanhados.
Escrito por Carol Lopes às 22h06
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