DE MIM PARA O OUTRO
“Eu não sou, nem sou o outro. Sou qualquer coisa de intermédio”
Há vinte e poucos anos Eli tinha um incômodo: não gostava de ver seu marido comer carne muito passada.
Há vinte e poucos anos Alfredo tinha uma esperança: fazer Eli entender que a comida lhe era saborosa exatamente assim.
Eli se antecipa: - Queria que ele saboreasse o gosto da comida no ponto certo dela. Gosto tanto de carne no ponto que queria dividir esse prazer com a pessoa que amo.
Alfredo sentia o prazer de degustar a carne, quando estava bem passada.
Talvez Eli nunca tivesse suposto que o prazer que ela sentia ao se deparar com uma carne no (seu) ponto fosse exatamente o mesmo que Alfredo sentia com o pedaço bem passado. O mais provável é que Eli quisesse que Alfredo gostasse das mesmas coisas que ela.
Carolina queria que Ronaldo gostasse de poesia.
Ronaldo queria que Carolina fosse mais poética.
Por tempos Carolina esperou que Ronaldo fizesse uma poesia a ela.
Um dia Carolina cansou de esperar. Abriu o peito, rasgou o verbo, pariu um poema.
Carolina descobriu que a poesia que queria ver nascer não era dele, mas dela!
“pilar, da ponte de tédio, que vai de mim, para o outro”
Escrito por Carol Lopes às 17h28
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